quinta-feira, 30 de julho de 2009

Agosto de 2009


IV

Stockholmo, 25 de setembro de 1898

(pgs 43-44)


A noção do merito do bem só começou a sua existencia depois de apparecer o demerito do mal, e o mal appareceu porque o homem abusou do melhor bem que lhe foi outorgado – a liberdade.

A idéa de Deus exclue a idéa do mal.

A palavra Deus significa e symboliza, quer para crentes, quer para descrentes, a perfeição infinita; logo, o mal não póde ter origem divina.

O mal, portanto, é a resultante da liberdade que o homem tem de poder infringir a ordem, infracção cuja penna está na propria desordem.

É essa liberdade que constitue o homem differente de todos os animaes.

O animal não póde infringir a ordem da creação, portanto as suas acções não teem merito, nem demerito. O cão de S. Bernardo, que é ensinado a salvar vidas, tem a mesma responsabilidade que o cão que o gatuno ensina a roubar. Qualquer delles opéra conforme a vontade do seu senhor; não tem discernimento para distinguir o bem do mal. Torna-se em um simples orgão da vontade humana que o dirige, e que livremente escolheu o bem ou o mal que o cão praticou sem a menor consciência.

Si eu fosse Deus, crearia uma humanidade impeccavel!

Que insensatez, que discernimento, que demencia.

O creado a dar lições ao creador.

O microcosmos a querer ser o macrocosmos, a parte a querer ser o todo; o conteúdo a querer ser continente; o microbio a querer ser mastodonte!!!

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