sexta-feira, 17 de junho de 2011


VI

Stockholmo, 25 de outubro de 1898
(pgs 63-64)

Admittamos, pois, um mundo espiritual ou essencial como coisa necessaria e principio creador do mundo natural. Não foi este mundo que creou o outro; mas sim o outro que creou este.

Admittamos mais o homem como sêr espiritual e essencial, cujo desenvolvimento necessita do apoio da matéria em que se envolve até constituir a sua individualidade subjectiva.

Façamos como Copernico: em logar de nos collocarmos na peripheria para encarar o centro, colloquemo-nos no centro, onde convergem todos os raios da peripheria. Na peripheria tinhamos um só ponto e um só raio de luz, no centro receberemos todos os raios luminosos.

“O mundo espiritual contemplado da terra apercebe-se confusamente através o espelho da natureza; consideramol-o uma região obscura, vaga, sem realidade, um reino de silencio e trevas, habitado por fantasmas sem fórma”; mas, encarando o mundo essencial como verdadeiro, o gérmen de todos os idéaes, o foco de todos os amores, a sabedoria real da vontade e do entendimento.

Considerar que o mundo material vive exclusivamente desse mundo typo e substancial, cujos reflexos vagamente a terra exhibe, que o nosso é a sombra, o outro a realidade, que um é transitório e o outro permanente, que um é inerte e confuso, o outro luminoso e complexo, é transformar o sonho em realidade porque a idéa é tudo e a matéria, em ultima analyse, é um sonho.

Um sonho ! ! !

Mesmo sonhando na terra, nós podemos ter a noção de que o corpo material póde ser eliminado sem que as sensações as mais nitidas e intensas desappareçam.