
IV
Stockholmo, 25 de setembro de 1898
(pgs 47-48)
Tu, como eu, como a grande maioria, finges falar á tua consciência, julgando-te perfeito e não te recordas de ter commetido acto nenhum degradante... Quem sabe de si, com medo da policia, ou medo que te conheçam e arranquem a mascara com que nos costumamos a cobrir; porque, si não fosse esse receio... Quantas canalhices não terias feito e quantas não estarias prompto a fazer, comtanto que ninguem visse...
Bem vês que, para tal freio, basta a policia.
Ninguem veja!!!
Eis já a negação do próprio sêr, porque nós mesmos somos alguém e temos obrigação de repelir intimamente em nós mesmos aquillo que condemnamos e repellimos nos outros.
É tão simples.
Não faças aos outros aquillo, que não queres que te façam a ti.
Eis aqui toda a sciencia do bem viver.
Meete uma das mãos na consciencia e dá cá a outra para um cordial aperto, mas, não apertes muito, porque está dorida de ter agora mesmo saído da consciencia propria.
Teu velho amigo
W.