sexta-feira, 21 de maio de 2010

Cartas perdidas


IV


Stockholmo, 25 de setembro de 1898


(pgs 47-48)


Tu, como eu, como a grande maioria, finges falar á tua consciência, julgando-te perfeito e não te recordas de ter commetido acto nenhum degradante... Quem sabe de si, com medo da policia, ou medo que te conheçam e arranquem a mascara com que nos costumamos a cobrir; porque, si não fosse esse receio... Quantas canalhices não terias feito e quantas não estarias prompto a fazer, comtanto que ninguem visse...

Bem vês que, para tal freio, basta a policia.

Ninguem veja!!!

Eis já a negação do próprio sêr, porque nós mesmos somos alguém e temos obrigação de repelir intimamente em nós mesmos aquillo que condemnamos e repellimos nos outros.

É tão simples.

Não faças aos outros aquillo, que não queres que te façam a ti.

Eis aqui toda a sciencia do bem viver.

Meete uma das mãos na consciencia e dá cá a outra para um cordial aperto, mas, não apertes muito, porque está dorida de ter agora mesmo saído da consciencia propria.

Teu velho amigo


W.