sexta-feira, 6 de julho de 2012



VI

Stockholmo, 5 de novembro de 1898
(pgs 75-76)

Em uma semente estão latentes as fórmas e as côres futuras da flôr, cuja previsão do seu desenvolvimento póde ser feita adivinhando o periodo em que ella desabrochará com todas as suas côres.

A semente de uma idéa ou de um facto deve conter latente a sua expressão definida, pois que, sendo essa expressão o seu effeito sensível, tem fatalmente de presumir-se uma causa geradora á qual se poderá chamar a semente idéal.

E assim, quando um sentido mais intenso possa, pela sua acuidade, momentaneamente liberto do peso material, estudar nesse gérmen espiritual o seu futuro desenvolvimento pela analogia derimente, a previsão de um facto futuro e perfeitamente acceitavel, apezar de desconhecermos qual a percepção que nos guiou, conduzida por esse sentido que existia latente no intimo do nosso sêr e cuja clarividência é lançada á conta de coincidencia ou no abysmo do acaso.

Oh! doce milagre tão calumniado pelos sábios, tão exagerado pelos supersticiosos e tão adulterado pelos charlatães, como o teu aspecto mysterioso e sobrenatural se vai tornando tão simples e natural! E quando, por um estado anormal do nosso corpo, o nosso sêr perscruta harmonias e vibrações inacessiveis aos sentidos grosseiros, eu prefiro descortinar nestes phenomenos a acção de sentidos novos, despertados do seu somno lethargico do que simples manifestações de loucura; e prefiro ter de caminhar só, do que, na pessima companhia das modernas escolas, taxar o genio de alienação e os grandes homens de desequilibrados, por terem a nodoa de se não parecerem com os brutos constantemente immersos nas sensações materiaes, que os animam, apenas codificando leis sobre o que os outros criam, quando não destroem essa creação no seu gérmen, tripudiando sobre Ella com as ferraduras technologicas.

Quarda-te bem dessas ferraduras, uma vez que não te pódes guardar das massadas do teu amigo
                                              W.