terça-feira, 29 de setembro de 2009

Outubro de 2009

IV

Stockholmo, 25 de setembro de 1898

(pgs 45-46)

Apenas nos effeitos, pois, poderemos presumir a causa, ver, pela correspondencia que se deriva da causa e presumir, por analogia, a sua imagem.

Estuda com attenção as phases da nossa vida. Vamos meditar na creação microcosmica, para vêr si attingimos, pela correspondencia, um plano mais elevado:

Deus, sendo creador, é tambem o Pai.

Analysemos, pois um pai humano que deu origem a um filho no ventre materno.

A criança nasce. Não tem vontade alguma. É nullo o entendimento; está na mais absoluta ordem, não póde afastar-se dos progenitores. São elles que a cercam de cuidados, que lhe prodigalizam ternas caricias. A vida dessa criança quase não póde ser separada dos pais.

Não te parece que este primeiro estado de innocencia poderá ser comparado a alguma humanidade primitiva que estivesse sob a acção directa de Deus? Seria a isto que os antigos chamavam edade de ouro?

Mas o pai anhela por vêr crescer a criança, para que o comprehenda, para que lhe retribua, em alegrias, o amor que lhe consagra, mas, como a criança não tem ainda o entendimento livre, não póde dar gratuitamente aquillo que não comprehende. A criança vai crescendo e os pais fazem o possível por augmentar essa affeição; mas, naturalmente, querem essa affeição espontanea e não coagida.

Para terem a certeza de que o filho lhes retribue o verdadeiro amor, precisam dar-lhe a liberdade do discernimento, porque o amor coagido não tem merito, começam instruindo-o.