Agosto de 2009
IV
Stockholmo, 25 de setembro de 1898
(pgs 43-44)
A noção do merito do bem só começou a sua existencia depois de apparecer o demerito do mal, e o mal appareceu porque o homem abusou do melhor bem que lhe foi outorgado – a liberdade.
A idéa de Deus exclue a idéa do mal.
A palavra Deus significa e symboliza, quer para crentes, quer para descrentes, a perfeição infinita; logo, o mal não póde ter origem divina.
O mal, portanto, é a resultante da liberdade que o homem tem de poder infringir a ordem, infracção cuja penna está na propria desordem.
É essa liberdade que constitue o homem differente de todos os animaes.
O animal não póde infringir a ordem da creação, portanto as suas acções não teem merito, nem demerito. O cão de S. Bernardo, que é ensinado a salvar vidas, tem a mesma responsabilidade que o cão que o gatuno ensina a roubar. Qualquer delles opéra conforme a vontade do seu senhor; não tem discernimento para distinguir o bem do mal. Torna-se em um simples orgão da vontade humana que o dirige, e que livremente escolheu o bem ou o mal que o cão praticou sem a menor consciência.
Si eu fosse Deus, crearia uma humanidade impeccavel!
Que insensatez, que discernimento, que demencia.
O creado a dar lições ao creador.
O microcosmos a querer ser o macrocosmos, a parte a querer ser o todo; o conteúdo a querer ser continente; o microbio a querer ser mastodonte!!!
Stockholmo, 25 de setembro de 1898
(pgs 43-44)
A noção do merito do bem só começou a sua existencia depois de apparecer o demerito do mal, e o mal appareceu porque o homem abusou do melhor bem que lhe foi outorgado – a liberdade.
A idéa de Deus exclue a idéa do mal.
A palavra Deus significa e symboliza, quer para crentes, quer para descrentes, a perfeição infinita; logo, o mal não póde ter origem divina.
O mal, portanto, é a resultante da liberdade que o homem tem de poder infringir a ordem, infracção cuja penna está na propria desordem.
É essa liberdade que constitue o homem differente de todos os animaes.
O animal não póde infringir a ordem da creação, portanto as suas acções não teem merito, nem demerito. O cão de S. Bernardo, que é ensinado a salvar vidas, tem a mesma responsabilidade que o cão que o gatuno ensina a roubar. Qualquer delles opéra conforme a vontade do seu senhor; não tem discernimento para distinguir o bem do mal. Torna-se em um simples orgão da vontade humana que o dirige, e que livremente escolheu o bem ou o mal que o cão praticou sem a menor consciência.
Si eu fosse Deus, crearia uma humanidade impeccavel!
Que insensatez, que discernimento, que demencia.
O creado a dar lições ao creador.
O microcosmos a querer ser o macrocosmos, a parte a querer ser o todo; o conteúdo a querer ser continente; o microbio a querer ser mastodonte!!!