IV
Stockholmo, 25 de setembro de 1898
(pgs 57-58)
Não foi o corpo humano que produziu a vida, mas, sim, a essencia humana que se envolveu em uma vestimenta material para servir de humus ao desenvolvimento da semente espiritual.
O principio vital existente na semente paterna depoz a vida no seio maternal, que lhe vai fornecendo o envoltório necessário ao seu desenvolvimento, dispondo o vaso que conterá o futuro espirito humano, adaptando-se a fórma á sua imagem e similhança.
Quando o espírito humano chegou ao maior período do seu desenvolvimento, o corpo, ou o vaso que o contém, começa a declinar e, quando não póde mais servir para o seu aperfeiçoamento, larga-o por imprestável e inutil.
Então toda a parecença ou similhança que esse envolucro tinha com o espírito que o animava e cuja fórma mantinha, desvanece-se, torna-se em uma coisa horrenda, disforme e fetida, como para attestar que não era em si próprio que residia a fórma, mas sim na energia vital, que o tinha formado, que o mantinha e que, agora, não precisando delle, o abandona, entregando-o á podridão. É a isto que se chama a morte.
A maravilhosa harmonia do corpo humano, mantida durante tantos annos em admiravel ordem, renovando sem cessar o organismo, conservando sempre a mesma fórma, dando o brilho da intelligencia no olhar, a eloqüência na fala, a graça no gesto, o fogo no amor, esse sêr culminante da creação que ama ou odeia e cujo entendimento tenta escalar os mysterios da infinidade e da eternidade, esse sêr, o unico que sabe que existe, em um dado momento, torna-se em uma pasta putrida, informe e nojenta ! ! !
É mister ser muito estupido para não cogitar em similhante absurdo.
O macerado argumento que os materialistas empregam, é que ainda ninguem voltou do outro mundo para esclarecer o assumpto.
Mas, si alguem voltasse do outro mundo, deixaria de ser do outro, para ser deste! Coitados.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Assinar:
Postagens (Atom)