terça-feira, 2 de junho de 2009

Junho de 2009

IV

Stockholmo, 25 de setembro de 1898


(pgs 41-42)

É essa liberdade de infringir a propria ordem que constituiu o homem differente de todos os animaes.

Si aos taes deuses officiosos lhes fosse outorgado o poder de crear, fariam bem em não conceder o livro arbitrio ao homem, por ser a única fórma de evitar que lhes chamassem tolos.
Aos animaes faltando-lhes a livre vontade e portanto a racionalidade, não lhes é permittido, como ao homem, infringir a ordem em que foram creados.

Desde que se conhece o leão, não consta que se tivesse afastado da immutavel ordem em que nasceu. Não precisa de vestidos, nem de fogo, e ainda ninguém lhe ouviu dizer tolices e muito menos maximas moraes; e o mesmo rugido, que fazia estremecer os primeiros Pharaós, faz agora esremecer as suas mumias.

O melro que, ha milhares de annos, fazia o ninho de uma certa e determinada fórma, ainda hoje o faz absolutamente egual.
O castor, sem nunca ter aprendido architectura, nem engenharia, cosntroe os seus diques e as suas aldeias lacustres com a mesma perfeição que as construíam desde seculos.

As abelhas ainda conservam a mesma fórma de governo que ha dezenas de seculos as rege.

E os problemas economicos das formigas nunca deixaram de dar maravilhosos resultados, apezar de datarem de épocas immemoriaes.

O animal nasce com toda a sciencia que lhe é necessária. A sua esphera de acção está limitada em imutavel ordem. Tem a roupa de que precisa, conhece os alimentos que lhe são proprios, constroe a habitação que lhe convém, sem carecer de mestres, escolas ou academias, e mais segura está uma andorinha dos seus conhecimentos meteorológicos do que os sabios de todos os observatorios.

Só o homem nasce sem o menor conhecimento. Tudo precisa aprender. Tudo uer depois comprehender.

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