VI
Stockholmo, 30 de novembro
de 1898
(pgs 81-82)
O simples vivente, sem individualidade consciente, não é um Sêr; é um
existir limitado e finito, porque não está completo. É, portanto, transitorio e
não Eterno. É um complemento; é uma parte, e nunca um todo.
O homem é o termo final da creação em todos os systemas planetários. É o
fim para que o Universo foi creado.
Tudo quanto se creou até ao homem, era o alicerce, a base indispensável
para tal fim. E essas bases, sobre as quaes o Creador collocou mais tarde a sua
Imagem e Similhança, são tão indispensaveis como as pedras e os materiaes que
entram na construcção de um edifício, o que não indica, de fórma alguma, que
esse edificio, sendo construído desses materiaes inferiores, fossem elles
próprios a origem e fim para a sua construcção.
Esses materiaes provam tão sómente a sua absoluta necessidade para que o entendimento humano se servisse delles
para construir o abrigo para a sua familia, dando-lhe a fórma de lar, para as
suas crenças, dando-lhe a fórma de templo, ou para as suas idéas, dando-lhes a
fórma de academia.
O inferior dar origem ao
superior é um absurdo identico ao effeito dar origem á causa. O inferior póde
apenas servir de base ou apoio para se poder estabelecer o immediatamente
superior. É esta a ordem immutavel da creação.
Existe uma antiqüissima tradição, affirmando que os animaes são: as fórmas viventes das affeições e dos
pensamentos humanos.
Eis um arcano digno de ser profundamente meditado.
Partindo do principio de que não ha idéa sem fórma, segue-se logicamente
que todas as nossas idéas, todas as nossas affeições, todos os nossos
pensamentos, quer bons, quer máos, quer bellos, que horriveis, não pódem nunca
ficar em simples abstracções espirituaes, visto que, tudo que é espiritual,
sendo essencial, tende a determinar uma fórma tangível para entrar em harmonia
com a natureza, que é o húmus ou a
matriz em que se elaboram e completam.

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